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14.12.08

Diversidade cultural e inteligência competitiva

Um história curiosa na homepage da CIA hoje: a agência está priorizando a contratação de minorias. O objetivo é promover a diversidade cultural como meio para obter pontos de vista e opiniões diferentes. Assim eles esperam evitar a focalização excessiva, o que leva a erros de previsão como o que eu comentei aqui.

Será que a CIA está chegando atrasada mais uma vez? Pelo que levantei via internet, o programa começou pra valer a partir do ano passado, muito tempo depois de várias empresas terem iniciado algo semelhante.

Hoje em dia, apelar para a diversidade cultural é uma abordagem rotineira naquelas empresas mais preocupadas em melhorar a inteligência competitiva e a capacidade de formular estratégias (além de ser um dos princípios que guiam a modelagem dos agora badalados mercados preditivos).

Leiam a nota da CIA:

"What if everyone had the same views and opinions? Just about everything would stay the same. Diversity is critical to the Central Intelligence Agency workforce. It reflects the unique ways we vary as intelligence officers. Last week, the CIA hosted its annual Diversity Showcase to highlight the programs that are enhancing minority recruitment, diversity of thought and employee advancement. The success of these programs has provided the Agency with employees who are a valuable resource of a variety of insights and ways of thinking." Continua aqui.

11.12.08

Os limites do conhecimento e como lidar com eles

A nossa mente é pequena demais para tanta informação. O mundo que nos rodeia é imenso, complexo demais, para a nossa cabeça. Para conseguirmos navegar por esse mundo de modo razoavelmente seguro e produtivo, criamos mapas mentais (aproximadamente o mesmo que modelos mentais, esquemas, molduras, enredos, etc., dependendo do referencial teórico), os quais resumem os dados da realidade em categorias conceituais tais como "ocidental", "muçulmano", "terrorista", "instruído", "ignorante", "pobre", "rico", etc.

Também simplificamos a realidade por meio da narração, estabelecendo relações de causa e efeito entre as coisas, ou melhor, entre os nossos conceitos das coisas (relações essas muito mais predominantes na nossa mente do que no mundo real, como argumenta Nicholas Nassim Taleb).

Quando os nossos mapas mentais falham

Usamos mapas mentais para navegar pela realidade. Porém, como ocorre a qualquer mapa, os detalhes lhes escapam.

Além disso, os nossos mapas mentais sofrem um grave problema de atualização (as coisas são muito mais impermanentes do que eles supõem).

O problema ocorre quando confundimos esses mapas com a realidade. Isso nos leva a graves erros de interpretação e de previsão (a aleatoriedade que percebemos no mundo talvez seja, na verdade, gerada pela nossa mente classificatória).

Vamos a um exemplo. Aqueles terroristas que atacaram as torres gêmeas no dia 11 de setembro de 2001 estavam nos EUA há muitos meses e em nenhum momento foram tidos como suspeitos pela inteligência norte-americana. Aparentemente, até então o mapa mental da CIA não relacionava a categoria "muçulmano altamente instruído e rico" à categoria "terrorista suicida" (apenas os "muçulmanos pouco instruídos e pobres" poderiam estar nesta categoria).

Como não ser enganado por mapas mentais?

Como podemos evitar tais erros, fazer previsões mais precisas e tomar melhores decisões? Desenvolvo essa discussão aqui no blog ao longo de vários posts. Há gente, por exemplo, que defende o valor dos mapas mentais, considerando-os ferramentas indispensáveis para orientar a tomada de decisão. Para outros, seguir regras é pedir para ser trouxa. E você, como lida com o conhecimento? Como descobre se o que sabe é mesmo verdade?