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30.4.20

O Influente e o Popular


Embora não seja tão popular quanto o Instagram ou o Facebook, o TikTok tem se tornado culturalmente influente em nosso país.

Será que ele se tornará mainstream por aqui algum dia, com uma audiência tão grande como a das maiores redes?

Ou ocupará uma posição similar a do Twitter, uma rede de nicho, mas influente, um verdadeiro laboratório de novas narrativas e linguagens que depois se espalham por outras redes?

Por enquanto, é isto o que temos visto, com tiktokers compartilhando seu conteúdo no Instagram, no Facebook e no próprio Twitter.

A título de curiosidade, lembremo-nos de algumas redes cuja audiência nunca explodiu no Brasil, mas que lançaram formatos novos e estéticas peculiares.

O Snapchat criou o que hoje conhecemos por stories, que fazem muito sucesso no Instagram.

O Tumblr em certo momento era muito citado por usuárias de outras redes, as quais nunca tiveram um perfil por lá, mas escreviam no Facebook e no Instagram: "toda tumblr".

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27.11.12

Don't be evil, Google

"Don't be evil". Para muita gente, o slogan original do Google não vale mais nada. O gigante das buscas está perdendo sua aura de ícone cibercultural na medida em que aumenta a gritaria contra o seu sistema de rastreamento e personalização de buscas.

A sociedade alternativa da internet começa a eleger novos heróis. Um dos mais interessantes é a start-up DuckDuckGo, mecanismo de busca que promete não espionar as pesquisas dos usuários. Ele não gera resultados baseados em interesses prévios dos usuários, o que costuma inibir informação relevante. Também não enche as páginas com anúncios.

Gabriel Weinberg, criador do DuckDuckGo, desafia o Google.

A estratégia de Gabriel Weinberg, seu criador, é uma lição clássica de posicionamento de marca e marketing de guerrilha: "Meu ponto de partida foi procurar por aquilo que nós poderíamos fazer mas outras companhias não, devido ao seu gigantismo", disse ele ao The Washington Post. O seu foco logo tornou-se óbvio: "O que é bom para o negócio do Google é ruim para os usuários do Google".


Leia também: Tendências de marketing digital para 2013.

12.9.12

A era hipercultural

[Trecho de livro a publicar]

A internet nos lançou de vez em uma era hipercultural. Agora, graças a concretude do virtual, até os mais céticos podem enxergar o que Weber já apontava há mais de um século: o ser humano é um animal que vive suspenso na teia de significados que ele mesmo teceu para si - mal põe os pés no real. A prova está ali, na rede formada por nossos perfis, falas e rastros digitais. Uma rede que só aumenta, em ritmo de hiperinflação simbólica.


Leia também: A realidade aumentada e a Matrix.

19.11.11

A vanguarda das redes sociais hoje

A febre em torno do assunto me lembra aquele verso do Cazuza: "eu vejo um museu de grandes novidades". Pude resumir minhas ideias a respeito num bate papo rápido ontem. Em respeito à privacidade do meu interlocutor, dei um nome fictício à ele. Preservei a linguagem informal de um chat no GTalk, sem muito respeito à ortografia e à pontuação.

Eduardo: as vezes eu vejo um futuro com a extinção de grandes portais e sites corporativos
e a navegação sendo dominada pelo twitter e facebook, inclusive as buscas

Héber: tb vejo assim, e não nos esqueçamos da integração de buscas e redes sociais do Google+
vejo as marcas proporcionando grandes experiências sócio-culturais nesses ambientes
uma marca vale pela sua capacidade de conectar as pessoas entre si
e de proporcionar a elas a visão de um possível mundo comum

Eduardo: mas se formos além
esse paradigma já foi alcançado por algumas marcas, beleza
mas onde está a vanguarda da internet hoje? ainda é o facebook?

Héber: é a internet móvel e a ubimídia
mas também nessas plataformas a condição humana será a mesma: um ser em busca de sentido
um sentido que só se torna real para o indivíduo quando é compartilhado
o compartilhamento exige expressão e interação
trocas simbólicas
é preciso recorrer a linguagens que em si são produto de interações - são construções sociais em permanente transformação
no final das contas, em qq plataforma, vivemos a grande odisséia humana: dar sentido à vida e às coisas por meio de sistemas de símbolos

Eduardo: qual é a vanguarda da relação social?
pois tudo que você descreveu ai são interações que, hoje, não são menos reais por serem virtuais
o alcance e tangibilidade do atual mundo "virtual" vai extinguir a cibercultura, não ?
No final é tudo cultura

Héber: concordo
estamos nos tornando seres cada vez mais culturais
a cultura sempre foi uma virtualidade
um sistema de significados compartilhado
existe como ideia na cabeça das pessoas
o mundo digital torna mais visível essa virtualidade que é a cultura
liberta ainda mais o ser humano das limitações físicas
lembre da tecnologia kinect no xbox
graças à ela, por exemplo, mais pessoas podem se sentir dançarinos de break, atletas, guerreiros, etc.
veja tb como a identidade é trabalha nos avatares
as fotos refletem menos a condição física da pessoa do que a identidade que elas gostariam de ter
o digital é a última fronteira na conquista da natureza pela cultura

Eduardo: e as interfaces?
digo, o futuro das interfaces é se tornarem transparentes
e a transparência vai chegar a um nível de inexistência simbólica
pq a única barreira física entre a cultura e a cibercultura são as interfaces

Héber: cibercultura é parte da cultura
essa divisão me parece artifical, didática
e a transparência é uma ilusão
vemos tudo por meio de filtros
a realidade é interpretada e representada pela força da imaginação

Eduardo: mas a cultura virtual não é compartilhada por todos
uma questão que acho muito relevante em relação a isso são os memes
podem ser toscos, mas são manifestações culturais virtuais
movimentos que nascem e morrem no ambiente virtual

Héber: no mundo "real",  há memes restritos a determinadas culturas ou sub-culturas também
pense, por exemplo, em gírias adotadas por tribos urbanas muito específicas
a teoria dos memes, nem se referia ao mundo virtual quando foi criada
referia-se a um fenômeno do mundo "real"

Posts relacionados:
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13.2.11

Como fazer uma netnografia

Héber Sales


Neste post, resumo a minha abordagem à netnografia. O método, derivado da etnografia, foi proposto pioneiramente por Robert V. Kozinets em 1998. A netnografia é um dos pilares do branding hipercultural, um modelo de construção de marcas que venho desenvolvendo como alternativa ao limitado paradigma cognitivista de branding digital.

As Vantagens e os Limites da Netnografia

A reunião de indivíduos em comunidades on-line dedicadas a produtos e marcas trouxe uma série de facilidades para o desenvolvimento das chamadas etnografias do consumo (KOZINETS, 1998 e 2002).

Primeiro, tornou-as mais ágeis e flexíveis. Conversações e outros registros da vida cultural dos grupos on-line ficam geralmente disponíveis de modo permanente em fóruns, listas de discussão e timelines, libertando o pesquisador da espera por momentos reveladores e permitindo a consulta dos dados no momento mais conveniente para ele.

Outra vantagem da etnografia on-line é que ela pode ser inteiramente não intrusiva, permitindo que a observação ocorra sem que o etnórafo perturbe e altere os padrões de comportamento estudados. “Por ser tanto naturalística como não intrusiva – uma combinação única não encontrada em nenhum outro método de pesquisa de marketing – a netnografia permite acesso contínuo aos informantes em uma situação social on-line particular” (KOZINETS, 2002, p. 62).

Apesar das vantagens das etnografias em comunidades virtuais, é preciso considerar também as suas peculiaridades e limitações. O foco estreito de tais comunidades, a necessidade de habilidade interpretativa do pesquisador e a dificuldade para identificar muitos dos informantes impedem a generalização dos resultados da pesquisa para além dos limites do grupo on-line utilizado como amostra. O método, porém, é bastante apropriado para conduzir pesquisas exploratórias e construir hipóteses, as quais poderão ser posteriormente testadas em outros ambientes sociais, por pesquisas experimentais e/ou quantitativas (SALES e FRANÇA FILHO, 2006).

As Etapas de uma Netnografia

A primeira etapa de uma netnografia consiste em identificar e selecionar aquela(s) comunidade(s) on-line mais adequada(s) às questões de pesquisa. A Internet disponibiliza vários meios de interação coletiva. Cada um deles possui características específicas que podem favorecer mais ou menos certos tipos de investigação.

Depois de escolher a comunidade a ser estudada, o método prevê um amplo levantamento dos seus membros e atividades. A análise desses dados constitui o esforço de "interpretação panorâmica", a partir da qual é possível identificar os temas mais recorrentes nas discussões, os valores cultivados em tais debates, as regras que orientam o comportamento do grupo, as facções dentro da comunidade, e os informantes que podem ajudar numa compreensão mais profunda da cultura do grupo (FETTERMAN, 1998).

O trabalho de interpretação panorâmica envolve também a revisão bibliográfica de obras sobre os aspectos sociais e culturais da modalidade de consumo em questão, o que, como veremos mais adiante, contribui decisivamente para uma descrição densa dos sistemas de significados compartilhados pelos indivíduos da comunidade investigada.

Concluída a interpretação panorâmica, realiza-se a classificação das mensagens por tópico. Muitas vezes, uma discussão específica oscila entre vários tópicos, o que exige registros múltiplos, em várias categorias semânticas.

Entrevistas com informantes qualificados devem ser conduzidas com o objetivo de entender melhor o conteúdo dos textos em análise. Tais sabatinas permitem ao pesquisador criar elos mais fortes com alguns membros, que logo se transformam em auxiliares valiosos no trabalho de interpretação.

Depois de classificar as conversações e mensagens por tópicos, passa-se ao trabalho de identificar, ao longo das discussões, os princípios e as categorias culturais que orientam o comportamento e o discurso dos membros da comunidade estudada. Nesta etapa, o etnógrafo costuma produzir uma grande quantidade de notas de campo, as quais constituirão a matéria-prima para a produção do relatório final da pesquisa.

As notas de campo devem desenvolver uma “descrição densa” da vida social e cultural da comunidade (GEERTZ, 1989), com destaque para aqueles aspectos mais diretamente relacionados às questões de pesquisa da netnografia.

Ao longo desse trabalho, o pesquisador pode usar, dependendo dos seus objetivo e dos seus referenciais teórico-metodológicos, as mais variadas técnicas de análise de dados qualitativos (interpretação hermenêutica, análise semântica baseada no quadrado semiótico, mapping semiótico dos valores de consumo, etc.).

Só não se deve perder de vista que, ao final da netnografia, o pesquisador deve ter encontrado aquelas coordenadas semânticas que orientam o comportamento dos membros da comunidade, expressando-as não apenas nos termos dos "nativos", mas também relacionando-as às teorias elaboradas por outros autores sobre os fenômenos sociais e culturais em foco. O procedimento contribui tanto para uma interpretação mais precisa dos significados culturais envolvidos quanto para o avanço da teoria e dos métodos de análise sociocultural.

Leia também: Monitoramento e análise de marcas nas mídias sociais

REFERÊNCIAS

FETTERMAN, David M. Ethnography: Step-by-Step. Thousand Oaks, CA: Sage, 1998 (2a. Edição).

GEERTZ, Clifford. Uma Descrição Densa: Por uma Teoria Interpretativa da Cultura. Em: A Interpretação das Culturas. Rio de Janeiro: LTC, 1989.

IKEDA, A.; PEREIRA, B.; GIL, C. Etnografia em marketing: uma discussão inicial. Revista Eletrônica de Administração, v. 12, n. 4, jul./ago. 2006

KOZINETS, Robert V. On Netnography: Initial Reflections on Consumer Research Investigations of Cyberculture. In: Advances in Consumer Research, Vol. 25, ed., Joseph Alba e Wesley Hutchinson, Provo, UT: Association for Consumer Research, 1998, 366-371.

______. The Field Behind The Screen: Using Netnography For Marketing Research in Online Communities. Journal of Marketing Research, 2002, 39 (February), 61-72.

RÜDIGER, Francisco. Sherry Turkle, percursos e desafios da etnografia virtual. In: Revista Fronteiras - Estudos Midiáticos.  Vol. 14, n. 2 (2012).

SALES, R. Héber T. B.; FRANÇA FILHO, Genauto C. Manufatura e Movimento de Significados no Mundo da Internet: uma Exploração Netnográfica do Papel das Comunidades On-line. Em: Encontro da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração (EnANPAD), 2006, Salvador/BA. Anais... Rio de Janeiro, ANPAD, 2006.

21.11.10

Identidades virtuais

Eu desconfio dessa diferenciação entre o mundo real e o mundo virtual no que se refere às nossas identidades.

Até que ponto os papéis que assumimos em espaços públicos físicos/reais correspondem ao que de fato somos? O conhecimento que temos de nós mesmos, até que ponto ele revela nosso "eu real"? Qualquer um que se deite num divã logo descobrirá de quantas fantasias é feito.

O que há de peculiar na internet, a meu ver, são os recursos mais avançados de edição do eu da persona. Eles nos permitem um "gerenciamento impressões" (Goffman) mais efetivo - podemos controlar melhor como nos representamos para nós mesmos e para os outros.

Leia também: Identidade alheia.