Mostrando postagens com marcador Mapas mentais. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mapas mentais. Mostrar todas as postagens

16.10.09

A realidade aumentada e a Matrix

A tecnologia da realidade aumentada só tornará mais visível a esfera simbólica em que vivemos quase o tempo todo.

Parafraseando Max Weber, o ser humano é um animal que vive suspenso em teias de significados que ele mesmo teceu - não se relaciona com "as coisas como elas de fato são", mas com "as coisas enquanto representações da mente" (leia mais em mapas mentais).

Nesse processo, os signos mediam a nossa relação com o mundo natural, funcionando como tradutores - dificilmente temos contato direto com a realidade, livre dessa tradução. O nosso habitat é a semiosfera*.

O homem já vive, há milênios, dentro da Matrix, num mundo virtual governado por um software chamado "cultura", devidamente customizado pela nossa experiência pessoal e pelos nossos processos de subjetivação (leia mais cultura e conhecimento).

De certo modo, o que a realidade aumentada fará é apenas tornar esse mundo virtual mais visível.


Nota

* O termo semiosfera foi proposto originalmente por Iuri Lotman.

31.1.09

Se funciona, é o que importa

Belo debate entre parceiros. Nassim Nicholas Taleb e Daniel Kahneman são entrevistados por John Brockman, editor do Edge, e dão um show de inteligência (veja o vídeo aqui).

Me chamou a atenção a fala de Kahneman sobre o uso de modelos. Para ele, nós humanos adotamos esta ou aquela teoria não por sua verdade objetiva, mas pelos seus efeitos práticos. Se funciona, mesmo que temporariamente, é o que nos importa.

A posição de Kahneman é muito semelhante àquela de Paul Feyerabend, a qual citei aqui, e lembra também as teses pragmatistas de Richard Rorty, que, por sua vez, costuma levar a idéia às últimas consequências ao afirmar que toda crença útil é verdadeira (leia aqui um pouco mais a respeito).

29.1.09

Cultura e conhecimento

Na nota anterior, citei o conceito de cultura de modo bastante superficial, sem maiores elaborações. Sugeri apenas que se tratava do conjunto de normas que observamos enquanto interagimos uns com os outros em sociedade. O termo, porém, envolve muitas outras sutilezas. Sua exata definição ainda é bastante disputada. [Continue lendo].

20.1.09

O anything goes de Paul Feyerabend e o valor dos mapas mentais

Como de costume, o Roger Oleniski postou outro texto esclarecedor. Desta vez sobre Paul Feyerabend e a ciência como forma de vida. Este trecho, sobre o sentido do anything goes do filósofo austríaco, resume bem a idéia:
"Qualquer teoria, por mais absurda e sem apoio empírico que seja, pode se tornar relevante, pois pode, quem sabe, romper com hábitos metodológicos e mentais e com o engessamento de certas regras de um jogo determinado."
A tese me fez pensar nas teorias como mapas mentais e em como, para Karl Weick, tais mapas são sempre úteis, até mesmo quando estão errados, porque sem eles não haveria aprendizado:
"Com o mapa na mão, não importa o quanto ele seja grosseiro, as pessoas codificam aquilo que vêem para que corresponda o máximo possível ao que está no mapa. Este prefixa as percepções dela, que vêem aquilo que esperam ver. Porém, à medida que se acumulam as discrepâncias, elas prestam mais atenção ao que está em sua experiência imediata, procuram padrões e prestam menos atenção ao mapa. Este torna-se então mais metafórico mas, ironicamente, somente porque foi o meio pelo qual outros mapas, mais atuais, foram formados" (p. 5).
WEICK, K. E. Cartographic Myhs in Organizations.
Em A. S. Huff, ed., Mapping Strategic Thought.
New York: Wiley, 1990: 1-10.

> Leia também: Os limites do conhecimento e como lidar com eles.

12.1.09

As emoções como estados mentais de representação

Por mais limitados e especulativos que sejam os nossos mapas mentais, eles são bastante complexos e cheios de sutilezas. Num post anterior, me referi a eles como 'representações da realidade em termos de categorias conceituais'. Mas não é só isso. Nossos mapas mentais também incluem outros estados psicológicos de representação, alguns dos quais envolvem as emoções.

O medo, a raiva, a paixão, etc., são informativos; as emoções carregam conhecimento. O medo de que o motoqueiro ao lado seja um assaltante, por exemplo, é um medo de que o mundo seja de um determinado modo - de um modo tal que haja muitos assaltantes usando motocicletas para abordar motoristas de automóveis.

Ao afirmar que há conhecimento embutido nas emoções, não quero dizer que tal conhecimento seja verdadeiro. Se ele corresponde ou não à realidade objetiva das coisas (isso existe?) é uma outra questão.

Preocupa-me, no entanto, que muitos de nós costumemos ignorar as nossas emoções como possíveis fontes de informação e aprendizado. No mínimo, ao refletir sobre elas, poderíamos eventualmente descobrir que se baseiam em suposições falsas ou muito pouco prováveis.

11.12.08

Os limites do conhecimento e como lidar com eles

A nossa mente é pequena demais para tanta informação. O mundo que nos rodeia é imenso, complexo demais, para a nossa cabeça. Para conseguirmos navegar por esse mundo de modo razoavelmente seguro e produtivo, criamos mapas mentais (aproximadamente o mesmo que modelos mentais, esquemas, molduras, enredos, etc., dependendo do referencial teórico), os quais resumem os dados da realidade em categorias conceituais tais como "ocidental", "muçulmano", "terrorista", "instruído", "ignorante", "pobre", "rico", etc.

Também simplificamos a realidade por meio da narração, estabelecendo relações de causa e efeito entre as coisas, ou melhor, entre os nossos conceitos das coisas (relações essas muito mais predominantes na nossa mente do que no mundo real, como argumenta Nicholas Nassim Taleb).

Quando os nossos mapas mentais falham

Usamos mapas mentais para navegar pela realidade. Porém, como ocorre a qualquer mapa, os detalhes lhes escapam.

Além disso, os nossos mapas mentais sofrem um grave problema de atualização (as coisas são muito mais impermanentes do que eles supõem).

O problema ocorre quando confundimos esses mapas com a realidade. Isso nos leva a graves erros de interpretação e de previsão (a aleatoriedade que percebemos no mundo talvez seja, na verdade, gerada pela nossa mente classificatória).

Vamos a um exemplo. Aqueles terroristas que atacaram as torres gêmeas no dia 11 de setembro de 2001 estavam nos EUA há muitos meses e em nenhum momento foram tidos como suspeitos pela inteligência norte-americana. Aparentemente, até então o mapa mental da CIA não relacionava a categoria "muçulmano altamente instruído e rico" à categoria "terrorista suicida" (apenas os "muçulmanos pouco instruídos e pobres" poderiam estar nesta categoria).

Como não ser enganado por mapas mentais?

Como podemos evitar tais erros, fazer previsões mais precisas e tomar melhores decisões? Desenvolvo essa discussão aqui no blog ao longo de vários posts. Há gente, por exemplo, que defende o valor dos mapas mentais, considerando-os ferramentas indispensáveis para orientar a tomada de decisão. Para outros, seguir regras é pedir para ser trouxa. E você, como lida com o conhecimento? Como descobre se o que sabe é mesmo verdade?